Filho amado,amor da minha vida.
Por um momento parei pra pensar em você,como o passar do tempo te mudou e imaginei também como você estará daqui a alguns aninhos.
Sei que essa tal de adolescência não é fácil. Tudo incomoda ! Desde o desejo de ser popular até as espinhas. Pode parecer que não,mas já passei por tudo isso.
Nessa idade tudo é estranho: algumas vezes estamos muito alegres,mas no dia seguinte pode bater a pior "deprê".
Sei que você acha que as mães dos seus amigos são melhores que eu. Mais carinhosas,mais presentes na vida dos filhos,mais compreensivas,mais liberais. Talvez até sejam mesmo.
Sei que você acha que nossa casa é pior do que a dos seus amigos,que moram em confortáveis apartamentos em bairros menos perigosos e afastados do centro como o nosso. Isso é inquestionável.
Também sei que você considera os irmãos dos seus amigos mais legais que o seu. Bem,dependendo da situação,concordo com você.
E também notei que na sua linda cabecinha,paira a ideia de que a avó dos seus amiguinhos é mais legal do que a sua. Veja bem,sua vó realmente pode ser chata as vezes,mas só as vezes.
O que eu posso lhe dizer ? Te amo ! E digo outra coisa: essas comparações são mesmo comuns na sua idade. Acho que quem compara está apenas exercitando sua faculdade mental que nosso querido Deus lhe deu. Mas filhinho,entenda algo. A perfeição é algo totalmente inalcançável nesta terra. E o ser humano tenta,tenta,tenta e tenta zilhões de vezes,parecer mais "perfeitinho" porém em várias situações,suas tentativas são frustradas.
Experimente ir à casa do seu amiguinho quando a mãe dele receber um chamado da direção da escola,convocando-a para uma reunião. Tente também em um domingo ensolarado,visitar a vovó simpática do seu amigo que está lá em casa,sozinha,enquanto toda família está na praia e a deixou aqui,assistindo TV ou tomando seu chazinho. E também não se esqueça de perguntar para o irmão mais velho do seu amiguinho se ele prefere jogar videogame com o caçula ou ir à balada com seus amigos da faculdade.
Filho,sua família te ama e como todas as outras,tem defeito. Talvez estes defeitinhos tenham te entristecido,mas olhe para trás e vai ver que as qualidades excedem as nossas diferenças.
Mamãe não está dizendo que você está errado(nem certo),mas está te alertando para o perigo dessas comparações. Vença as diferenças,sei que é capaz disso !
Meu amor por você é grande ! Posso não ser tão bonita quanto a Ana Paula Arósio,posso não ser tão rica quanto a mãe do seu amigo,Ricardinho,mas amo você bem mais do que elas.
Um beijo da sua inseparável mãe e tenha certeza de que quando você precisar,estarei lá !
P.S: Não se esqueça de lavar a louça,querido ! Sabe como é,sujou,limpou.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Feiura Existencial
Muitas vezes me pergunto se sou feio. Além disso,tento imaginar como seria o meu mundo se não houvesse esse lance de beleza/feiura. Amarga ilusão.
Penso todo dia na feiura existencial. Simples como o nome sugere,não há nada de misterioso nisso a não ser o fato de que quando olhada mais profundamente, a feiura existencial cause impactos dolorosos aos espectadores(que se distanciam dela) e aos seus possuidores(que se escondem para tentar sobreviver à ela).
A feiura existencial se espalha pelos becos,boates,grupos sociais,igrejas,escolas e etc. Primeiramente,o indivíduo é caracterizado por algo ruim,agressivo ou intolerável à sociedade. Parece que é constituído por apenas uma característica(ou um leque delas) negativa,que causa repugnação social.
A intolerância cega e o preconceito concebido em sua forma mais crua,afastam o indivíduo da sociedade e gera uma situação de conflito. A sociedade porém,dita suas regras para que o indivíduo possa voltar ao convívio social,mas cabe a ele decidir pelo sim ou pelo não.
Se mais indivíduos que foram ojerizados pela sociedade se juntarem,ocorre a formação de um grupo social caracterizado pela contra-cultura,ou seja,uma negação aos valores estipulados por outros grupos sociais(geralmente a cultura mais predominante).
Porém,os indivíduos que não se juntam aos grupos acabam sofrendo da feiura existencial. Melancólicos,cabisbaixos,antissociais e afastados,tendem a ter baixíssima auto-estima e timidez incontrolável. Procuram cantos obscuros,geralmente longe de pessoas(principalmente as que o rejeitam por causa de suas características) e de casas,carros e etc.
São pessoas feridas,machucadas e ressentidas pelo tempo e pelas feridas que ele trouxe consigo.
Pessoas como eu e você,com anseios,decepções,sentimentos,tristezas e delírios. Contudo,sem ninguém para se confessar,abrir a alma,expressar seus sentimentos na forma mais genuína.
Gente que mesmo com quarenta e poucos anos,ainda necessita do mais puro abraço. Gente que precisa daquele beijo de mãe,no primeiro dia de aula. Gente que precisa de colo,carinho de vó e de muita,mas muita paciência.
Alguns parecem arrogantes,outros são taxados de frios e outros até mesmo de mal-amados. Mas uma ultima pergunta resta: quem irá ajudá-los ? Quem irá dar a mão para atravessar o medo ? Quem irá amá-los ? Quem irá abraçá-los ? Quem ?
Penso todo dia na feiura existencial. Simples como o nome sugere,não há nada de misterioso nisso a não ser o fato de que quando olhada mais profundamente, a feiura existencial cause impactos dolorosos aos espectadores(que se distanciam dela) e aos seus possuidores(que se escondem para tentar sobreviver à ela).
A feiura existencial se espalha pelos becos,boates,grupos sociais,igrejas,escolas e etc. Primeiramente,o indivíduo é caracterizado por algo ruim,agressivo ou intolerável à sociedade. Parece que é constituído por apenas uma característica(ou um leque delas) negativa,que causa repugnação social.
A intolerância cega e o preconceito concebido em sua forma mais crua,afastam o indivíduo da sociedade e gera uma situação de conflito. A sociedade porém,dita suas regras para que o indivíduo possa voltar ao convívio social,mas cabe a ele decidir pelo sim ou pelo não.
Se mais indivíduos que foram ojerizados pela sociedade se juntarem,ocorre a formação de um grupo social caracterizado pela contra-cultura,ou seja,uma negação aos valores estipulados por outros grupos sociais(geralmente a cultura mais predominante).
Porém,os indivíduos que não se juntam aos grupos acabam sofrendo da feiura existencial. Melancólicos,cabisbaixos,antissociais e afastados,tendem a ter baixíssima auto-estima e timidez incontrolável. Procuram cantos obscuros,geralmente longe de pessoas(principalmente as que o rejeitam por causa de suas características) e de casas,carros e etc.
São pessoas feridas,machucadas e ressentidas pelo tempo e pelas feridas que ele trouxe consigo.
Pessoas como eu e você,com anseios,decepções,sentimentos,tristezas e delírios. Contudo,sem ninguém para se confessar,abrir a alma,expressar seus sentimentos na forma mais genuína.
Gente que mesmo com quarenta e poucos anos,ainda necessita do mais puro abraço. Gente que precisa daquele beijo de mãe,no primeiro dia de aula. Gente que precisa de colo,carinho de vó e de muita,mas muita paciência.
Alguns parecem arrogantes,outros são taxados de frios e outros até mesmo de mal-amados. Mas uma ultima pergunta resta: quem irá ajudá-los ? Quem irá dar a mão para atravessar o medo ? Quem irá amá-los ? Quem irá abraçá-los ? Quem ?
sábado, 14 de novembro de 2009
Os presentes de Mr. Clacky
Filósofo renomado e muito persuadido por partidos políticos. Esse era Mr. Clacky.
Sua eloquência,elegância e originalidade encantavam não só os intelectuais adjacentes,como também a massa operária. Era um homem de bom coração,e de boca limpa pelos longos 15 anos sem tabaco. Seus olhos expressavam a vontade de ajudar o ser humano e seus dedos levavam em suas pontas,sopas para mendigos,carinho para jovens desesperançosos,companhias para idosas sozinhas e amor para crianças portadoras de câncer.
Certo dia,Mr. Clacky conheceu um andarilho que fugiu do México após encontrar uma arma no chão e fez a fama de caça-recompensa. Fora expulso do seu vilarejo e desde então,andava por estradas,pântanos e brejos. Mr. Clacky perguntou sobre sua vida e ele lhe respondeu:
-Minha vida teve três pontos decisivos:o dia em que nascí,o dia em que achei a maldita arma e o dia em que encontrei uma nota de cinco dólares no chão. Deu pra comprar um maço de cigarro e uma dose de whisky bem vagabundo.
Mr Clacky gostou do homem,mas teve que voltar pra casa porque já estava tarde. O pobre rapaz pediu três presentes,ironizando:
-Espírito natalino no ar,porém um andarilho não respira o mesmo ar que os civilizados. Poderia me emprestar um pouco do seu oxigênio ?
Mr Clacky pensou e pensou. Logo depois de sua reflexão,resolveu atender a tal pedido e foi até uma loja de conveniência e comprou uma cerveja,um chaveiro e dois jornais. Deu para o andarilho e foi embora. O pobre rapaz teve uma noite de sono e depois sumiu.
Essa história é uma fábula moderna,mas com muito uso para o dia-a-dia. Mr. Clacky era um gênio,um homem amável e adorado pelo seio da sociedade. Mas com o andarilho,uma figura totalmente inusitada e desajustada,ele foi totalmente estúpido.
O texto diz que Mr. Clacky gostou do pobre rapaz,mas logo após a entrega dos presentes,o renomado filósofo foi embora e nem se despediu direito. Constato que Mr. Clacky realmente gostou muito do rapaz,mas o que a alta sociedade diria se visse o grande Mr. Clacky conversando com um andarilho ?
Muitas vezes em nosso cotidiano,deixamos pessoas brilhantes passarem por causa do medo de sermos julgados,condenados ou até mesmo excluídos. Frequentemente escondemos sentimentos,que são substituídos pelo medo de amar.
Ame ! Mas não ame só aqueles que estão cobertos ou protegidos do frio. Deixe seu amor ser o cobertor da frieza humana e da indiferença. Ame,sem medo !
Sua eloquência,elegância e originalidade encantavam não só os intelectuais adjacentes,como também a massa operária. Era um homem de bom coração,e de boca limpa pelos longos 15 anos sem tabaco. Seus olhos expressavam a vontade de ajudar o ser humano e seus dedos levavam em suas pontas,sopas para mendigos,carinho para jovens desesperançosos,companhias para idosas sozinhas e amor para crianças portadoras de câncer.
Certo dia,Mr. Clacky conheceu um andarilho que fugiu do México após encontrar uma arma no chão e fez a fama de caça-recompensa. Fora expulso do seu vilarejo e desde então,andava por estradas,pântanos e brejos. Mr. Clacky perguntou sobre sua vida e ele lhe respondeu:
-Minha vida teve três pontos decisivos:o dia em que nascí,o dia em que achei a maldita arma e o dia em que encontrei uma nota de cinco dólares no chão. Deu pra comprar um maço de cigarro e uma dose de whisky bem vagabundo.
Mr Clacky gostou do homem,mas teve que voltar pra casa porque já estava tarde. O pobre rapaz pediu três presentes,ironizando:
-Espírito natalino no ar,porém um andarilho não respira o mesmo ar que os civilizados. Poderia me emprestar um pouco do seu oxigênio ?
Mr Clacky pensou e pensou. Logo depois de sua reflexão,resolveu atender a tal pedido e foi até uma loja de conveniência e comprou uma cerveja,um chaveiro e dois jornais. Deu para o andarilho e foi embora. O pobre rapaz teve uma noite de sono e depois sumiu.
Essa história é uma fábula moderna,mas com muito uso para o dia-a-dia. Mr. Clacky era um gênio,um homem amável e adorado pelo seio da sociedade. Mas com o andarilho,uma figura totalmente inusitada e desajustada,ele foi totalmente estúpido.
O texto diz que Mr. Clacky gostou do pobre rapaz,mas logo após a entrega dos presentes,o renomado filósofo foi embora e nem se despediu direito. Constato que Mr. Clacky realmente gostou muito do rapaz,mas o que a alta sociedade diria se visse o grande Mr. Clacky conversando com um andarilho ?
Muitas vezes em nosso cotidiano,deixamos pessoas brilhantes passarem por causa do medo de sermos julgados,condenados ou até mesmo excluídos. Frequentemente escondemos sentimentos,que são substituídos pelo medo de amar.
Ame ! Mas não ame só aqueles que estão cobertos ou protegidos do frio. Deixe seu amor ser o cobertor da frieza humana e da indiferença. Ame,sem medo !
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Ah Querida !
Escreví,mas não mandei
Pensei,mas não falei
Acho que a amo,e seu sorriso me perturba
Guardo,tranco e escondo o sentimento,
mas meus olhos me denunciam
Ando e a vejo cintilando em sua existência
Me renovo e elevo meu ser
O trem chega e ela me deixa
O dia fica triste e as nuvens se revoltam
Guardo,tranco e escondo o sorriso perturbador.
Pensei,mas não falei
Acho que a amo,e seu sorriso me perturba
Guardo,tranco e escondo o sentimento,
mas meus olhos me denunciam
Ando e a vejo cintilando em sua existência
Me renovo e elevo meu ser
O trem chega e ela me deixa
O dia fica triste e as nuvens se revoltam
Guardo,tranco e escondo o sorriso perturbador.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Dia quente
Hoje é dia quente,morno,sem nuvens.
Hoje os namorados aproveitam as belas praças,roubam belos beijos e compram belas rosas.
Sem ninguem,sozinho,me ponho a pensar. O choro já é seco,o grito já é mudo.
Me dirijo para o cemitério onde jaz minha felicidade. Lá,ando pelos túmulos e não sinto pena dos que as habitam. Morrer é tão bom !
Saio de lá com a impressão de que a vida é sem valor. Cumprimento as senhoras que saem da igreja com os terços nas mãos. Bondosas senhoras que em poucos anos,estarão morando nos túmulos que venero.
Atravesso a rua e tomo um café. Leio jornal e um mendigo me pede um cigarro. Digo que não tenho e vou embora,porém minha alma diz:
-Você mendiga tristeza ! Oh maldito mendigo da melancolia !
Calo minha alma e choro. O choro já é seco e o grito já é mudo.
Hoje os namorados aproveitam as belas praças,roubam belos beijos e compram belas rosas.
Sem ninguem,sozinho,me ponho a pensar. O choro já é seco,o grito já é mudo.
Me dirijo para o cemitério onde jaz minha felicidade. Lá,ando pelos túmulos e não sinto pena dos que as habitam. Morrer é tão bom !
Saio de lá com a impressão de que a vida é sem valor. Cumprimento as senhoras que saem da igreja com os terços nas mãos. Bondosas senhoras que em poucos anos,estarão morando nos túmulos que venero.
Atravesso a rua e tomo um café. Leio jornal e um mendigo me pede um cigarro. Digo que não tenho e vou embora,porém minha alma diz:
-Você mendiga tristeza ! Oh maldito mendigo da melancolia !
Calo minha alma e choro. O choro já é seco e o grito já é mudo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
A Senhora dos meus lábios
Doce Senhora,espanhola de língua enrolada que veio se aventurar em terras tupiniquins e espalhar seus olhos de bálsamo em minha alma.
A Senhora me encanta com o olhar doce de menina e com a magia da mais bela cigana. Calafrios !
Vós que não sabem o que é amar,riem do meu desatino e gozam das minhas feições apaixonadas ao ver minha amada,mas eu caçoo de vocês porque na calada da noite choram as amarguras dos mal-amados e angustiados.
Minha Doce Senhora merece um poema de poucas palavras,pois a poesia que se encontra em sua magnitude é impossível expressar em palavras !
A Senhora me encanta com o olhar doce de menina e com a magia da mais bela cigana. Calafrios !
Vós que não sabem o que é amar,riem do meu desatino e gozam das minhas feições apaixonadas ao ver minha amada,mas eu caçoo de vocês porque na calada da noite choram as amarguras dos mal-amados e angustiados.
Minha Doce Senhora merece um poema de poucas palavras,pois a poesia que se encontra em sua magnitude é impossível expressar em palavras !
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Donas da Vida,Donas Distintas
Ah,dias de sol !
Esse já não fazem questão de suas próprias existências. Nem eu.
A vida está cheia de amargura que cerra a boca para as mais belas palavras,as razões de viver dos poetas.
Ninguem consegue sorrir,tudo está cinza e sem rumo. Deus está longe,acompanhando tudo de perto ao lado de anjos ruivos que tocam flautas de sons graves e de asas azuis que imitam o céu,o mar e os olhos de minha amada.
Não sei se conseguiremos sair daqui,muito menos se esqueceremos essa época gelada.
Mas por incrível que pareça a Dona Esperança,uma senhora baixinha de cabelos castanhos tingidos,com olhos doces e palavras meigas insiste em me encontrar,mesmo não me conhecendo totalmente.
Ela é preconceituosa,não gosta de nordestinos,moleques de rua e pecadores e acha que os ajuda com rezas na igreja que faz nas manhãs de domingos.
Dona Esperança é fascinante ! Conseguiu até desvirtuar a proposta inicial desse texto e seu título ! Essa tal de Dona Esperança encanta até mesmo os bêbados das esquinas do Centro,moribundos e doentes.
Ah,Angústia ! A senhora é tenebrosa e feia. Tú és a peste,a fome,o desprezo ! Mas peço que vossa senhoria continue a rondar minhas setas mentais,pois o acalento de Dona Esperança vem ao meu encontro todos os domingos,sábados e dias fúteis. É o bálsamo de todas as noites,é a gota de perfume caindo sobre o pescoço jovem,é a última pétala da mais bela rosa a enfeitar o chão da noiva.
Só lhe peço uma coisa,Dona Esperança:dê-me pouco de ti,para que a Angústia venha e cale toda hipocrisia de te ter por perto. E que a tua santa hipocrisia venha para calar as verdades que Dona Angústia fala !
Esse já não fazem questão de suas próprias existências. Nem eu.
A vida está cheia de amargura que cerra a boca para as mais belas palavras,as razões de viver dos poetas.
Ninguem consegue sorrir,tudo está cinza e sem rumo. Deus está longe,acompanhando tudo de perto ao lado de anjos ruivos que tocam flautas de sons graves e de asas azuis que imitam o céu,o mar e os olhos de minha amada.
Não sei se conseguiremos sair daqui,muito menos se esqueceremos essa época gelada.
Mas por incrível que pareça a Dona Esperança,uma senhora baixinha de cabelos castanhos tingidos,com olhos doces e palavras meigas insiste em me encontrar,mesmo não me conhecendo totalmente.
Ela é preconceituosa,não gosta de nordestinos,moleques de rua e pecadores e acha que os ajuda com rezas na igreja que faz nas manhãs de domingos.
Dona Esperança é fascinante ! Conseguiu até desvirtuar a proposta inicial desse texto e seu título ! Essa tal de Dona Esperança encanta até mesmo os bêbados das esquinas do Centro,moribundos e doentes.
Ah,Angústia ! A senhora é tenebrosa e feia. Tú és a peste,a fome,o desprezo ! Mas peço que vossa senhoria continue a rondar minhas setas mentais,pois o acalento de Dona Esperança vem ao meu encontro todos os domingos,sábados e dias fúteis. É o bálsamo de todas as noites,é a gota de perfume caindo sobre o pescoço jovem,é a última pétala da mais bela rosa a enfeitar o chão da noiva.
Só lhe peço uma coisa,Dona Esperança:dê-me pouco de ti,para que a Angústia venha e cale toda hipocrisia de te ter por perto. E que a tua santa hipocrisia venha para calar as verdades que Dona Angústia fala !
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