Ah,dias de sol !
Esse já não fazem questão de suas próprias existências. Nem eu.
A vida está cheia de amargura que cerra a boca para as mais belas palavras,as razões de viver dos poetas.
Ninguem consegue sorrir,tudo está cinza e sem rumo. Deus está longe,acompanhando tudo de perto ao lado de anjos ruivos que tocam flautas de sons graves e de asas azuis que imitam o céu,o mar e os olhos de minha amada.
Não sei se conseguiremos sair daqui,muito menos se esqueceremos essa época gelada.
Mas por incrível que pareça a Dona Esperança,uma senhora baixinha de cabelos castanhos tingidos,com olhos doces e palavras meigas insiste em me encontrar,mesmo não me conhecendo totalmente.
Ela é preconceituosa,não gosta de nordestinos,moleques de rua e pecadores e acha que os ajuda com rezas na igreja que faz nas manhãs de domingos.
Dona Esperança é fascinante ! Conseguiu até desvirtuar a proposta inicial desse texto e seu título ! Essa tal de Dona Esperança encanta até mesmo os bêbados das esquinas do Centro,moribundos e doentes.
Ah,Angústia ! A senhora é tenebrosa e feia. Tú és a peste,a fome,o desprezo ! Mas peço que vossa senhoria continue a rondar minhas setas mentais,pois o acalento de Dona Esperança vem ao meu encontro todos os domingos,sábados e dias fúteis. É o bálsamo de todas as noites,é a gota de perfume caindo sobre o pescoço jovem,é a última pétala da mais bela rosa a enfeitar o chão da noiva.
Só lhe peço uma coisa,Dona Esperança:dê-me pouco de ti,para que a Angústia venha e cale toda hipocrisia de te ter por perto. E que a tua santa hipocrisia venha para calar as verdades que Dona Angústia fala !
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